II Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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27 de março de 2008

Quase a metade dos 500 mil policiais brasileiros ganha até três salários

RECIFE – Na abertura do II Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), nesta quarta-feira à noite, em Recife, o secretário nacional de Segurança Pública interino, Ricardo Balestreri, informou que praticamente a metade dos policiais civis e militares no Brasil (cerca de 200 mil de um total aproximado de 500 mil) ganha até R$ 1.400,00 ou o equivalente a pouco mais de três salários mínimos.

O secretário divulgou o dado porque são apenas esses policiais que têm direito a se candidatar ao Bolsa Formação, do Ministério da Justiça, que paga R$ 400 por curso de capacitação profissional. Isso se não tiverem cometido infrações penais ou administrativas, nos últimos cinco anos. O FBSP é uma entidade civil sem fins lucrativos, que reúne há dois anos policiais, gestores de segurança pública e pesquisadores do tema.

– Isso revela como os policiais estão ganhando mal no Brasil – lamenta a pesquisadora Silvia Ramos, do Cesec (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania), da Universidade Candido Mendes, uma das participantes do encontro que reúne 700 executivos da área de segurança pública, pesquisadores do tema e policiais civis, militares e federais.

O Encontro é patrocinado por entidades de apoio a pesquisa como a Fundação Ford, a Tinker Foundation, a Open Society Foundation, a Fundação Konrad Adenauer, além da Secretaria Nacional de Segurança Pública, da Universidade Federal de Pernambuco e do governo daquele estado.

Que intelectual nunca quis saber de polícia não é novidade. O americano David Bayley foi um dos primeiros cientistas políticos a criticar os meios acadêmicos por historicamente desprezarem a polícia como fonte de pesquisas sociais, em seu livro “Padrões de Policiamento” ( do original “Patterns of Policing: A Comparative International Analysis”), de 1985.

A boa notícia é que o Brasil parece estar evoluindo nesse quesito, apesar da flagrante crise na segurança pública. O Brasil é o país do mundo que tem hoje a maior rede de instituições universitárias (cerca de 80) aptas pelo Ministério da Justiça para oferecer capacitação profissional a policiais. A informação também foi dada pelo secretário nacional de Segurança Pública interino, Ricardo Balestreri, em Recife.

– Há um esforço do país em articular a universidade com a formação profissional do policial e profissional de segurança pública. E podemos estar formando uma nova geração de policiais, muito mais capacitados – observa Silvia.

Silvia Ramos faz parte do quadro de 60 associados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, fundado em março de 2006 com o principal objetivo de criar um espaço permanente de reflexão do problema da segurança pública no país.

– O Fórum é a agenda positiva em busca de respostas à violência e à criminalidade no campo da segurança pública. É óbvio que a questão social é importante, mas a segurança públicar requer outras respostas à crise que atravessamos – afirma Silvia Ramos.

Inspirado na americana Police Foundation, que contribuiu bastante para melhor o nível das polícias nos Estados Unidos, o Fórum reúne hoje a “inteligência da segurança pública” no país. Um de seus integrantes é o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, que coordena também a Rede Nacional de Ensino em Segurança, subordinada ao Ministério da Justiça.

Entre os associados do Fórum estão pesquisadores como o ex-secretário nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente; Claudio Beato, do Crisp (Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública), da UFMG; e Julita Lemgruber, do Cesec; executivos como Carlos de Moraes Antunes, superintendente da Guarda Municipal do Rio; e representantes de entidades da sociedade civil, como o Instituto Sou da Paz e o Viva Rio.

Presidido pelo delegado federal aposentado Paulo Sette Câmara e com o pesquisador Renato Sérgio de Lima como coordenador científico, o Fórum promove anualmente um encontro com o objetivo de reunir policiais, gestores e pesquisadores de segurança pública de todo o país para a troca de experiências, apresentação de trabalhos e debates pertinentes à área.

O aumento do número de inscrições em relação ao ano passado – que teve 400 pessoas – é um sinal de que o tema atrai cada vez mais interesse dos profissionais do setor. O encontro terá 90 mesas redondas e oficinas sobre políticas de segurança pública, realizadas simultaneamente. Haverá também conferências do cientista político David Bayley e do ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, que vai relatar experiências bem-sucedidas na queda da taxa de homicídios da capital colombiana.

O primeiro Encontro Anual do Fórum aconteceu nos dias 25 a 27 de abril de 2007, em Belo Horizonte, com a parceria da Secretaria de Defesa Social do Estado de Minas Gerais, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG e da Fundação Konrad Adenauer. O próximo Encontro Anual será em Vitória, no Espírito Santo.

Fonte: Globo Online

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