Crack, o mal do século.

Feito com um subproduto da cocaína, o crack é uma das drogas mais devastadoras que existe, tanto pelos seus efeitos nefastos, quanto pelo grau de dependência que provoca no usuário, tornando quase impossível o abandono ao vício.

Há muito, o consumo de crack deixou de ser problema das grandes cidades brasileiras e se alastrou por todo o país, atingindo pessoas de todas as idades – inclusive crianças e adolescentes – e das todas as classes sociais.

Pesquisa sobre a situação do crack nos municípios brasileiros, feita pela Confederação Nacional dos Municípios com 3.950 (71%) das 5.563 cidades brasileiras, aponta a gravidade do problema e revela que, definitivamente, não estamos preparados para conviver com esse problema devastador, verdadeiro flagelo nacional.

O levantamento mostra o avanço do consumo da droga derivada da cocaína. Das quase 4 mil cidades analisadas, 98% apresentaram problemas relacionados a drogas em geral ou ao crack. E menos de 10% delas têm programas municipais de prevenção ou de combate à dependência. Apenas 8,43%, ou seja 333, confirmaram ter este tipo de ação.

Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), responsáveis pelo acolhimento e tratamento dos portadores de transtornos mentais, no qual estão incluídos os usuários de drogas, são restritos a poucos municípios. Existem em apenas 14,78% das cidades que responderam à pesquisa, o que confirma que as instalações físicas existentes e a disponibilidade de serviços é insuficiente para atender a demanda.

Em relação ao Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, apenas 3,39% (134) dos municípios que responderam a pesquisa informaram ter conseguido auxílio financeiro do governo federal. De acordo com as informações das secretarias municipais de Saúde, em 98% dos municípios pesquisados existem problemas relacionados à circulação e ao consumo de drogas e do crack.

Sobre o consumo da droga, estimativas apontam que existem cerca de 1,2 milhão de pessoas consumindo crack no Brasil. O escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em sua última publicação, revelou um aumento na circulação do crack no Brasil. Em 2002, 200 quilos da droga foram apreendidos. Em 2007 – último dado disponível – foram 578 quilos apreendidos. O montante equivale a 81,7% do crack apreendido na América do Sul.

De acordo com o Ministério da Saúde, o levantamento mais recente sobre o consumo da droga é de 2005, feito pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas em 108 cidades brasileira. A pesquisa aponta que 0,1% da população fumou crack nos 12 meses anteriores à pesquisa. No mesmo período, 2,6% haviam fumado maconha, 1,2% tinha utilizado solvente, 0,7% havia usado cocaína, enquanto 49,8% das pessoas consumiram álcool.

Mesmo com números imprecisos e defasados, não há dúvida de que esse é um problema seríssimo que vem contaminando a sociedade brasileira, envolvendo diretamente as áreas de saúde e segurança pública. Ter uma política eficaz de enfrentamento a drogas é de vital importância.

 

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