DOSSIÊ DA INSEGURANÇA EM MT.

Enquanto o governo não contrata homens para trabalhar na Segurança Pública e os homens que comandam as duas principais Polícias de Mato Grosso não definem estratégias de segurança mais eficazes, também por falta de policiais civis e militares, triplicam os roubos, os latrocínios: roubos seguidos de morte; estelionato, estupros, homicídios, tentativas de assassinatos, agressões e, principalmente o tráfico de drogas, apontado pela própria Polícia como a mola propulsora do crime organizado e da violência

Cuiabá é assaltada 24h por dia, diz o coronel Sales, ex comandante geral da PM

Cuiabá e Várzea Grande vivem dias de abandono e caos na segurança pública. “Cuiabá é assaltada 24 horas por dia. Nossa segurança está no caos”. Palavras do coronel Leovaldo Sales, de 52 anos, ex-comandante geral da Polícia Militar e atual presidente da Associação dos Oficiais da PM. Sem policiais em número suficiente para atender pelo menos 20% das ocorrências, as Polícias Civil e Militar afundam cada vez mais no descrédito da população. Uma descoberta surpreendente: Várzea Grande só tem 13 viaturas e 40 policiais militares trabalhando por dia para atender uma população de 300 mil habitantes.

Outra descoberta: A Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DRRFV), por exemplo, que há 25 anos trabalhava com 24 investigadores, dois escrivães e um delegado – 27 policiais por plantão de 24 horas -, para uma demanda de, no máximo duas ocorrências por dia, hoje tem apenas quatro policiais por plantão para uma demanda que chega a dez ocorrências por dia. Juntas, as duas polícias não conseguem atender 10% das ocorrências registradas por dia. Em outros Estados, as Polícias aumentam seus efetivos, constroem novas unidades, dobram seus aprendizados, enquanto em Mato Grosso a Segurança pública destrói o que já foi construído e que deveria ser ampliado. Cuiabá é a única Capital brasileira sem segurança no trânsito.

Finalmente veio a realidade trazida pelo coronel Sales. A Polícia Militar que anuncia ter seis mil homens na realidade tem apenas três mil à disposição da Segurança Pública em todo o Estado. Ou seja, são apenas um mil homens por dia, quando apenas Cuiabá precisaria de um mil homens por dia para realizar um policiamento ostensivo decente, sem dar chances para os bandiodos. Os outros três mil policiais, segundo o coronel Sales, estão no serviço burocrático ou à disposição de órgãos.

“A Polícia Militar tem homens espalhados por todos os setores da sociedade. De soldado trabalhando como motoristas, até coronel secretário de Estado. Enquanto isso, hoje nós precisamos de mais de 15 mil homens. Essas contratações tem que ser feitas urgentes, caso contrário Cuiabá e Várzea Grande vão continuar sendo roubadas 24 horas por dia, sem contar que teremos problemas com a segurança da Copa do Mundo, inclusive com as obras, pois para tanto, a Polícia Militar também precisa estar presente no trânsito”, alerta Sales.

Segundo cálculos de especialistas em Segurança Pública, inclusive do coronel Sales, a Polícia Militar precisaria de no mínimo mais dez  mil homens, para chegar a um total de 15 mil. Já a Polícia Civil que não tem dos mil homens entre investigadores, delegados e escrivães, precisaria de mais dois mil e 500 investigadores, 600 delegados e mais 800 escrivães para cobrir todo o Estado, pois existem dezenas de municípios, ou sem delegado, ou sem investigador ou sem escrivão. Ou seja, quando tem um falta outro.

O que mais intriga os policiais civis e militares, no entanto, é a obrigação de trabalhar dobrado para tapar buracos e a propaganda que os dirigentes das duas polícias estão fazendo de alguns casos resolvidos. Isso, segundo eles, dá a impressão de que tudo está bem e que, tanto a Civil, quanto a Militar estão trabalhando mil às maravilhas e que não falta nada, principalmente homens, quando a realidade é outra.
E a realidade da falta de policiais mata, como matou o capitão Celino da Costa Sampaio, de 50 anos, morto por bandidos durante um assalto nesta semana. E olha que o capitão Sampaio era um dos homens de frente do Batalhão Operações Especiais (BOPE), um grupo de elite da Polícia Militar. O oficial foi morto com um tiro na nuca em frente à casa dele, em Várzea Grande.

Para alguns policiais insatisfeitos com a falta de segurança, inclusive para eles próprios, os principais responsáveis pelo caos são o secretário de Segurança Diógenes Curado e seus dois principais auxiliares, pela ordem: Lino Faria, comandante geral da Polícia Militar e delegado Paulo Vilela, diretor geral da Polícia Civil. Outros, mesmo revoltados com a falta de segurança, defendem Curado e seus auxiliares.

“O secretário Curado tem boas intenções. É um homem sério, honesto, mas pelo que eu tenho visto, ele não abre a boca e não toma uma atitude. Isso também acontece com o coronel Faria e com o delegado Paulo Vilela, que não abrem a boca para nada, principalmente para cobrar e encarar o governador Silval Barbosa. Acho que eles tem medo de perder seus cargos. Só que, se abrirem a boca não estão cometendo crime algum, pois estarão apenas cobrando mais efetivo para as duas policias, pois seus quadros de policiais estão se exaurindo”. A opinião e o desabafo são de um policial com mais de 25 anos de carreira.

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MESMO REVOLTADOS COM
A FALTA DE POLICIAIS E COM
A FALTA DE SEGURANÇA,
INCLUSIVE CONTRA ELES MESMOS,
EXPOSTOS AO PERIGO DE SAIR DE CASA E NÃO VOLTAR NO FINAL DO
EXPEDIANTE, ALGUNS POLICIAIS
NÃO ESCONDEM A LEGALIDADE
E A LISURA DOS PRINCIPAIS
HOMENS QUE LIDERAM O ALTO
ESCALÃO DA SEGURANÇA E DAS
POLÍCIAS CIVIL E MILITAR
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“É verdade. Não temos policiais, nem civis, principalmente, muito menos policiais militares. Mas a culpa não é do delegado Curado, atual secretário de Segurança. Essas duas Polícias estão acabando porque seus antigos e atuais mandatários não conseguiram, sequer cobrar uma atitude mais concreta dos governos anteriores e do governador Silval Barbosa. A População que é a mais atingida pela falta de segurança, precisa saber que em 1996 os plantões da Polícia Civil tinham mais de 25 homens trabalhando por dia. Hoje não chega a cinco. Isso é um absurdo, para não dizer um prato cheio para os bandidos, que deitam e rolam”, alerta outro policial em final de carreira.

“Ou o doutor Curado cobra do governador a contratação de mais de 10 mil policiais civis e militares de uma só vez, ou corremos o risco de Cuiabá e Várzea Grande ficarem sem nenhum policial nas ruas para o serviço preventivo durante a Copa do Mundo. É a realidade e porque serão mais de seis mil policiais – dois mil por dia -, apenas para a segurança da Copa, e hoje nós não temos nem 10% do que seria necessário”, alerta outro veterano policial.

“Quem assiste aos programas policiais veiculados, principalmente pela televisão e vê um monte de pessoas presas, imagina que a Grande Cuiabá está abarrotada de policiais civis e militares. Engano. Somos poucos, um mínimo para sermos mais exato. Fazendo um esforço redobrado, muitas vezes até desumano, prendendo quatro ou cinco bandidos por dia. Isso não representa nem cinco por cento dos casos de roubo, furto, estelionato, agressões, tentativas de homicídio, denúncias de vendas de drogas, estupro, latrocínio: roubo seguido de morte e assassinatos. Precisamos de homens para trabalhar”, implora mais um policial revoltado.

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PARA TODOS OS POLICIAIS
ENTREVISTADOS, O POVO,
O MAIS PREJUDICADO PELA
AÇÃO DOS BANDIDOS,
PRECISA SABER DA CARÊNCIA
DE HOMENS, MAS TAMBÉM
PRECISA SE ENGAJAR NA
LUTA PARA SENSIBILIZAR
OS GOVERNANTES A
CONTRATAR MAIS POLICIAIS
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“Acho que a população também precisa se engajar às nossas reclamações. Se possível, ela que é a mais prejudicada com a constante ação dos bandidos, que esprema os governantes. Até porque a sociedade não pode ser atingida como nós somos pelos dirigentes da Civil e da Militar, que costumam mandar gente para bem longe quando descobrem quem falou alguma coisa contra a falta de segurança”, lembra um policial prestes a se aposentar.

“A População precisa mesmo se organizar e ir para as ruas cobrar segurança. Nós já estamos cansados de mandar recados anônimos, pois é triste não podermos nos identificar dentro de uma sociedade que se diz liberal e democrata. Aqui a democracia é xadrez, rua ou transferência para bem logo para quem ousa abrir a boca e cobrar segurança. Aliás, essa cobrança poderia ser feita diretamente pelos nossos superiores: delegados e coronéis, que também não o fazem com medo de perder seus cargos. Isso é muito triste”, desabafa um policial.

Revoltado, um policial aposentado recentemente detona: “Mas a população precisa saber que não temos policiais nas ruas porque não temos homens suficientes nos quartéis e nas delegacias. Aliás, não estamos nem falando dos mais de um mil policiais civis e militares que estão à disposição da Justiça e de centenas de órgãos públicos. “Eu pensei em continuar trabalhando, mas com essa falta de homens , que só aumenta o risco de morte em um combate com os bandidos mais armados do que a gente, não contei duas vezes em me aposentar”, desabafa outro policial antigo.

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ALGUNS POLICIAIS TAMBÉM
ACREDITAM NA SENSIBILIDADE
DO GOVERNADOR E TEM COMO
CERTA A CONTRATAÇÃO DE
POLICIAIS CIVIS E MILITARES
PARA OS PRÓXIMS MESES
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“Agora eu vou falar uma coisa caro jornalista. Eu até nem sei se você vai escrever o que eu vou falar, mas eu vou falar. As Polícias Civil e Militar de Mato Grosso ainda são as melhores do Brasil. Faça chuva ou faça sol, nós, mesmo poucos, com pouca condição de trabalho e com salários baixos, pois só os oficiais e os delegados ganham bem, tão bem que são os mais bem pagos do Brasil, estamos lá, frente a frente com os bandidos. Prendemos poucos, mas os presídios estão superlotados. Agora imagine se tivéssemos homens suficientes e bem pagos. Nosso Estado, com certeza seria campeão em prisões e não ficaria bandido solto como existe hoje”, desafia um policial da ativa.

Outro policial fala no mesmo estilo: “Agora, nós também temos certeza quer o governador Silval Barbosa é um homem de decisão e de muita visão, tanto política, como de uma modo geral sobre todos os problemas do Estado. E ele também sabe que um deles é justamente a insegurança, justamente por falta de homens, Por isso temos certeza que o governador vai contratar os homens que a Segurança Pública precisa”.

Alguns policiais lembram, entre outras coisas, que em Mato Grosso a situação da Segurança Pública é diferente dos outros Estados brasileiros. Lembram os policiais e ex-policiais entrevistados com exclusividade pela reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News e pelo Jornal Página Única, que Cuiabá pode ser, ou é a única Capital do Brasil onde não existe segurança no trânsito.

Lembram também, que outros Estados atualizam suas unidades policiais militares, aumentando ainda mais seus campos de combate, em Mato Grosso os responsáveis pela Segurança Pública foram destruindo aos poucos suas unidades policiais civis e militares. E essa destruição não começou hoje. Ela é antiga.

“Acabaram com quase todas as Delegacias Especializadas e, inclusive com a Roubos e Furtos, e com as Delegacias Distritais. Só restam a Veículos e a Homicídio. Ora, todos sabem que as delegacias para investigar roubo, furto e estelionato são imprescindíveis. Afinal de contas, os crimes de roubo, furto e estelionato acontecem aos montes, minuto a minuto. Tanto que a Polícia não consegue investigar cinco por cento dos casos”, lembra um policial.

Um policial mais antigo foi ainda mais contundente: “Sem contar que os dirigentes fecharam e destruíram todas as delegacias distritais e, principalmente acabaram com o Batalhão de Trânsito (BT). E não acabaram apenas como o BT, também acabaram com a Policia Rodoviária Estadual (PRE) e com o Batalhão Florestal. Todos eram muito atuantes, mas foram destruídos misteriosamente. Isso é simplesmente o fim da picada”.

A realidade, segundo a reportagem comprovou, é onde funcionava o Batalhão de Trânsito no legendário bairro do Porto, onde trabalhavam mais de 300 homens responsáveis direto pelo policiamento de trânsito da Capital, hoje só restam as ruínas.

“Lembro que no tempo do então major Oliveira, hoje coronel e ex-comandante da PM, a ordem era uma atuação direta, inclusive com aulas de educação de trânsito em pleno local onde estava acontecendo uma infração de trânsito. Os policiais multavam e eram orientados a retirarem de circulação todos os veículos em péssimo estado de conservação que pudesse causar um acidente, principalmente grandes tragédias. Hoje o trânsito está uma verdadeira bagunça com verdadeiras latas velhas circulando. Os responsáveis pela organização só sabem multar e não organizam nada. Isso é um fato, isso é uma realidade que precisa ser corrigida antes que os acidentes matem mais pessoas inocentes como tem matado por falta, justamente de uma Batalhão de Trânsito”, alerta.

Os dirigentes da Polícia Civil e da Polícia Militar também acabaram com as unidades policiais em dezenas de bairros de Cuiabá e Várzea Grande, cuja população hoje tem que percorrer centenas de quilômetros apenas para registrar uma ocorrência policial.

“No bairro Santa Isabel havia uma Delegacia Distrital. Acabaram. Montaram uma unidade da Polícia Militar que não funciona por falta de homens. Além do que, lá não se registra ocorrência. No Santa Helena também havia uma Distrital, acabaram. Acabaram com a distrital do Porto. Acabaram com a Distrital do Coxipó, com a Distrital do Pascoal Ramos. Também acabaram com a Distrital do Capão Grande, com Distrital do Cristo Rei e com a Distrital do Parque do Lago e acaram com a Distrital da Cidade Alta.

“A idéia deles (dos dirigentes) era boa. Eles queriam concentrar todas as investigações nos Centros Integrados (Ciscs), tornando-os uma espécie de “clínica geral”, mas eles tiveram a idéia de contratar homens. E o pior, os poucos que existiam na época foram morrendo ou se aposentaram. Ou seja, hoje restam poucos homens para muito trabalho, tanto na Polícia Civil, como na Polícia Militar. E as coisas ainda podem ficar bem piores se nada for feito, e com muita urgência”, alerta e conclui um veterano policial. (JRT).

Fonte: http://www.24horasnews.com.br

3 comentários em “DOSSIÊ DA INSEGURANÇA EM MT.

  1. Parabéns pelo trabalho da polícia e pelo seu bravo trabalho escrito neste Dossiê.
    Antes de morar em Cuiabá, aliás, cidade que aprendi amar. Morei em São Paulo, capital e vizinhança, em Curitiba trabalhei como entregador. Nunca vi nada igual a o descaso dos governos de Mato Grosso em relação a o trânsito e suas mazelas. A única coisa que vemos nas ruas como trabalho no trânsito são as pouquíssimas blitz e que finda sobrando mais para os carros “véios” e motos ilegais.
    Cuiabá, precisa com extrema urgência do retorno de uma polícia educativa para acudir este trânsito que está se tornando uma loucura cada dia que passa. Tem muita gente rica em grandes carrões usando largadamente o celular e fazendo manobras absurdas com uma das mãos. Outra coisa que cheguei a pensar é que os AUTO ESCOLAS não ensinam os seus alunos a usarem o “PISCA, PISCA” (AS LUZES DE SETAS) para informarem as mudanças de direções com antecedência dentro das margens de segurança necessárias para quê quem está de fora não se sinta ameaçado ou abarroado em seu veículo, ou atropelado como pedestre.
    As carretas fervilham pelas avenidas historiador Rubens de Mendonça, Miguel Sutil, Fernando Correa, 15 de Novembro e todas as demais ruas pequenas e grandes como se fossem carros de passeio?! Isso é o cúmulo do absurdo! Em cidades como Curitiba,PR. Florianópolis, SC. São Paulo – Centro. Este trânsito pesado não invade o centro comercial em caminhões grandes e carretas. São distribuídos em caminhões 3/4, tipo F4000 e pequenos furgões. No bairro jardim paulista em Cuiabá, onde moro, as calçadas nas esquinas são danificadas pelas carretas ao fazerem manobras onde as ruas não comporta o tamanho delas. Por outro lado, o calçamento das ruas que temos em Cuiabá, a que é denominado asfalto, na verdade é um “anti-pó” que no sul e sudeste do Brasil é feito para uso provisório, pois no final dos anos noventa no governo do sr. Dante de Oliveira, a maioria dos bairros tiveram suas ruas cortadas para a sub posição de esgotos o que veio piorar as ruas calçadas que por não terem sido trabalhadas com terra planagem em sua estruturação nunca mais ficaram com o “asfalto liso”.
    Não sito aqui os motociclistas, porque eles são vistos como a desgraça do trânsito em Cuiabá, mas como o usuário de motos é formado pela classe pobre, fica mais fácil controlar, porque o pobre está costumado a se adequar as várias circunstâncias imposta pelo poder.

    Damião A. Souza
    2º Semestre de Jornalismo – Unic

  2. São apenas palavras,apenas palavras de quem teve a oportunidade de ser encisivo mas não foi ,e somente após fora do cargo outorgado pelo Governo vem a publico chutar cachorro morto, por motivos “imaginaveis” ,por mais burro que seja o cidadão é de se perguntar qual a intenção desse “desabafo”,será que só depois de tanto tempo por uma iluminação do alem o Coronel sales percebeu que há algo errado na segurança publica e que em sua época de comandante geral não existia ? compra quem não te conhece.

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