Quadrilha cai após tentar imitar o “Novo Cangaço”

A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) apresentou, nesta semana, durante entrevista coletiva, detalhes da investigação da Operação Salomão, que levou à prisão de sete pessoas, ligadas ao assalto de uma agência do Banco do Brasil, em Santo Antônio do Leste (379 km ao Sul de Cuiabá).

Durante a coletiva, a delegada Ana Cristina Feldner, que comandou as investigações falou da participação dos membros da organização criminosa e relatou um fato inusitado: o bando teria tentado utilizar o “modus operandi” das quadrilhas que assaltam bancos no Interior de Mato Grosso.

A delegada apontou que o bando é perigoso e demonstra não ter apego e nem zelo com a própria vida. Policiais acreditam que o quadrilha usou métodos de assalto no estilo “Novo Cangaço”, mas foram mal sucedidos e acabaram presos pela GCCO.

O assalto ocorreu na manhã de 11 de novembro, quando um grupo de cinco assaltantes fortemente armado invadiu a agência, fazendo disparos e tomando clientes e funcionários como reféns. Na ação, o bando conseguiu roubar R$ 90 mil, que foram retirados dos caixas.

As investigações mostraram que a quadrilha almejava levar pelo menos R$ 1 milhão da agência. O montante seria o dinheiro para pagamento de funcionários da Prefeitura local, que tem a folha de pagamento estimada em R$ 600 mil. O restante do dinheiro seriam as economias dos moradores, que, em sua maioria, são produtores rurais. A cidade é pequena e a população é de cerca de cinco mil habitantes.

Mentores

A GCCO acredita que toda a trama foi arquitetada por José Jonas Silva Cruz, 37s. Ele é morador da região e teve o cuidado de aliciar pessoas que não se conhecessem, para evitar ligação entre o bando. Jonas arquitetou o plano do assalto com o auxilio de José Geraldo da Silva, 26, o “Dengo”.

José Geraldo se passava por funcionário público, fingindo ser contratado pela Prefeitura local. Assim, ele teve acesso a informações privilegiadas, inclusive, as datas de transferência da folha de pagamento do municipalismo.

Ele já foi preso por tráfico de drogas e tinha um mandado de prisão em aberto, pelo crime de homicídio. Policiais disseram que todas as peças do carro dele estavam adulteradas, mostrando que as ligações com a criminalidade eram fortes.

“Esse sujeito era uma pessoas muito dissimulada e chegou a se passar por amigo da Polícia. Fingia que queria dar apoio, perguntou se precisávamos de ajuda. Ele, na verdade, queria saber de nossos passos”, revelou a delegada Ana Cristina Feldner.

Outro membro importante da organização é o comerciante José Carlos de Oliveira Clares, o Carlinhos. Ele seria o responsável por conseguir o armamento para realizar o assalto.

Carlinhos era proprietário de um bar chamado “Copo Sujo”, localizado na MT-130 e que, segundo a GCCO, era um ponto estratégico para observação e apoio ao bando. Carlinos está foragido e membros da quadrilha disseram que o dinheiro do assalto foi levado por ele.

O apoio logístico da quadrilha era realizado pelo fazendeiro Edson Lachi, que também está foragido. Policiais descreveram Edson como uma pessoa acima de qualquer suspeita, morador local, proprietário de uma fazenda, veículos, e com um bom nível social.

“As investigações mostram que o Edson participou ativamente do assalto. O bando usou a fazenda dele como apoio. Ele era uma pessoa acima de qualquer suspeita, mostrando que o mundo do crime chega a todas pessoas”, disse a delegada.

Apoiadores

A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) aponta ainda que pelo menos mais 10 pessoas deram apoio ao bando que arquitetou o assalto. Uma dessas pessoas é uma investigadora da Polícia Civil, que atuava na Central de Flagrantes, em Cuiabá.

A policial Silvana Cristina da Silva Barbosa, 39, foi presa na madrugada de segunda-feira (14), juntamente com o companheiro João Batista Vieira dos Santos, 25, e Kawara Jasmine Marques Araújo, 25, esposa de um dos participantes do assalto, identificado apenas como Diego e que está foragido.

O grupo foi preso quando iam resgatar na mata, próximo a Santo Antonio do Leste, o assaltante Diego, que participou do assalto. Ele estaria com os pés machucados, devido aos dias andando em fuga.

Investigações continuam

A delegada Ana Cristina Feldner informou que as investigações da Operação Salomão devem continuar. Ainda são procurados 10 participantes do assalto.

Na ação foram apreendidas uma caminhonete Hilux, uma moto e um carro Fiesta. Participaram da operação policiais da GCCO, Delegacia Fazendária, Delegacia de Repreensão de Entorpecentes e policiais militares de Barra do Garças e Primavera do Leste.

Envolvidos no assalto:

José Jonas Silva Cruz – 37 anos (preso) sem foto– Mentor do roubo. Ele que teve a ideia do roubo. Se passando por assessor da Prefeitura de Santo Antônio do Leste tinha acesso as informações policiais. É suspeito de outros dois roubos na região. José Jonas se aliou ao Sidinei Ferreira da Silva, 31 (preso), que aliciou os membros que iriam entrar no banco. Ele escolhia pessoas que não se conhecia.

José Carlos de Oliveira Clares, o Carlinhos – é procurado, está com o dinheiro roubado e as armas utilizadas no crime. Ele é dono do bar “Copo Sujo”, na MT 130, a 100 km de Primavera do Leste. Local estratégico usado como suporte na fuga;


– Edson Lachi – proprietário da fazenda “Água Viva”, onde a quadrilha montou o primeiro acampamento (foragido). Dono da caminhonete Hilux apreendida pela polícia e usada no deslocamento do bando;


José Geraldo da Silva, Dengo – 26 anos (preso) – Executor do assalto. Tem passagens por tráfico e mandado de prisão preventiva por homícidio.



Marcos
 – Borracheiro (retrato-falado) (foragido) – Deu os disparos durante o assalto. Suspeito também do roubo na cidade de Poxoréu;



Wellington Gonçalves Dias
, o Poxoréu (foragido) – Executor do assalto no banco;

Diego da Silva Rocha – usa identidade falsa de Tiago da Cruz Silva (foragido), é marido da Kawara e executor do assalto no banco;


Uanderson Rogério Constantino
 (tem deficiência na perna) (foragido), participou da ação de roubo no banco.


Silvana Cristina da Silva Barbosa – 39 anos (presa) – investigadora de polícia, deu apoio na fuga de um dos bandidos;


João Batista Vieira dos Santos
 – 25 anos (preso) – companheiro de Silvana e apontado como um dos principais líderes arrombadores de caixas eletrônicos;


Kawara Jasmine Marques Araújo
– 22 anos (presa) – mulher de Diego da Silva Rocha, integrante da quadrilha que atacou o banco. Em sua casa foram apreendidos mais de 7 quilos de drogas;


Rafael Barros Teixeira da Rosa – 25 anos – (preso) dono de um hotel, localizado em ponto estratégico da cidade de Primavera do Leste. Dali ele visualizava toda a movimentação da polícia e a logística. Em seu hotel ficou hospedado membros da quadrilha;

Fonte: http://www.midianews.com.br/?pg=noticias&cat=3&idnot=70490

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