A Polícia Federal pede socorro.

A Polícia Federal pede socorro. A instituição anda muito mal das pernas. Todos nós, servidores do órgão, sabemos que a Polícia Federal passa por uma crise funcional interna sem precedentes e que não tem as mínimas condições de cuidar dos megaeventos que se aproximam. Faltam ao órgão estrutura, efetivo, equipamentos, recursos, motivação…

Não é exagero destacar que a Polícia Federal parou no tempo e no espaço, fruto da curta visão dos seus dirigentes. Estamos vendo, diariamente, as nossas funções serem usurpadas pela Força Nacional, Ibama, Polícia Rodoviária Federal, Incra e Forças Armadas e os nossos dirigentes nada fazem. Não reclamam. Silenciam. Cuidam apenas do próprio umbigo. Os gestores do órgão passam o dia sonhando com a carreira jurídica, mas enquanto ela não vem, disputam cargos dentro e fora da instituição. Não estão nem um pouco preocupados com os interesses do órgão. O desprendimento é tamanho, que – pasmem! – um delegado federal foi cedido ao Detran da Paraíba, como se a Polícia Federal não enfrentasse um grave problema de déficit de efetivo.

Nenhuma autoridade deste país poderá desconhecer que o efetivo da Polícia Federal é extremamente deficitário e, o pior de tudo, até a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 uma grande parcela do efetivo ganhará o direito à aposentadoria. As vagas disponibilizadas pelo governo para concurso, no entanto, nem de longe atendem às necessidades básicas da instituição. Podemos garantir que o efetivo da Polícia Federal em 2014, por exemplo, estará muitíssimo aquém daquilo que é minimamente recomendável.

Paramos no tempo e no espaço! Sem muito alarde, já criaram no país a muito bem remunerada Polícia Federal Legislativa e vem aí a Polícia Federal Judiciária. Aos poucos, estão ocupando todos os espaços que, irresponsavelmente, estamos deixando ao longo do tempo.

Quando tudo no mundo está mudando, seguindo a modernidade, a Direção-geral do órgão, sempre a cargo de uma categoria, insiste no continuísmo de uma estrutura funcional arcaica, retrógrada e injusta, o que tem resultado numa fratricida guerra interna, que – com certeza – já causou danosas consequências à instituição. E, pelo que estamos vendo, não há luz no final do túnel. Não há limites para a sanha dessa categoria em mostrar poder internamente, por meio da “hierarquia”, da “disciplina” e do “salário”.

Falta quase tudo à Polícia Federal. Recentemente o TCU considerou imprópria e deficiente a capacitação da força policial que atua nos mais de 16 mil km de região de fronteira com outros países. Segundo os analistas, os 1.439 servidores enfrentam gravíssimas dificuldades causadas pela deficiente infraestrutura de várias delegacias de fronteira, aliadas à carência de equipamentos e recursos (coletes balísticos, veículos, barcos, scanners etc), problemas que amplificam as dificuldades enfrentadas pelos policiais no combate ao narcotráfico. Esta constatação vem comprovar o que há muito se sabe sobre a política de formação adotada pela Polícia Federal. Todos nós, sindicalistas ou não, sabemos que o DPF recruta mal, forma pior ainda e, depois, abandona o policial na região de fronteira. Não há uma política honesta e justa de resgate do servidor.

Estamos muito mal estruturados! Como é sabido, a Polícia Federal participará das atividades programadas no calendário de grandes eventos que compreende os Jogos Olímpicos Mundiais de 2016, a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e, no mês de junho próximo, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentado, mais conhecida como Rio+20.

É vergonhoso constatar que, neste final de fevereiro de 2012, nenhum dos seis helicópteros da Polícia Federal consegue sair do chão. Nenhum dos seis! E somente dois dos seis aviões estão disponíveis. A Coordenação de Aviação Operacional que a Direção-geral afirma ser “um dos trunfos para garantir a segurança das autoridades e festividades”, vive um caos administrativo sem precedentes!

Estamos vivendo esta grave situação, mas parece que nada está acontecendo. Tudo parece estar normal. Dias atrás, no início de fevereiro, a Direção-geral da Polícia Federal anunciou no informativo interno (Nº 48 de 9/2/12), que estamos marchando a passos largos para o êxito da segurança das autoridades e visitantes, que ficará sob a supervisão do órgão. Trata-se de um blefe. Coisa para inglês ler! Todos sabem como trabalham os nossos policiais nas fronteiras. Para cobrir os 16.886 quilômetros por onde entram drogas, armas e produtos contrabandeados no país, há – por exemplo – apenas 15 binóculos de visão noturna. Faltam exatos 383 coletes à prova de balas, 120 rastreadores, veículos e embarcações para atender às necessidades mínimas dos policiais. Necessidades mínimas – atentem para isto!

Falta-nos quase tudo! E o que o governo federal tem feito para solucionar o problema? Exatamente o inimaginável! Cortou, na última semana, R$ 2,2 bilhões dos R$ 4,76 bilhões previstos no orçamento do Ministério da Justiça. Possivelmente a Polícia Federal seja – mais uma vez – a maior afetada pela tesoura do governo. Como se observa, o governo federal não está muito preocupado com a segurança e o controle dos eventos. Talvez porque tenha à sua disposição a Força Nacional para substituir os policiais federais no caso de um movimento paredista. Talvez porque tenha o Ministério da Defesa querendo a qualquer custo mostrar a sua importância para os brasileiros. Talvez porque o governo não tenha sido alertado da precaríssima situação pelos dirigentes da Polícia Federal. Ou talvez pelas três coisas. Ou talvez por muito mais!

E o que falar da motivação dos servidores? Estamos há seis longos anos sem reajuste salarial, sem reposição de inflação e sem o resgate da dignidade. Sem uma retribuição justa, o servidor não tem como promover a manutenção da família, que necessita dos itens básicos reclamados por toda a sociedade, como o provimento da educação, saúde, alimentação, etc. Não há mais como manter o padrão de vida de outrora e, por isso, falta-lhes a motivação para cumprir a inarredável função constitucional com tranquilidade e responsabilidade.

Por tudo isso, pedimos socorro para o resgate da Polícia Federal. Antes que seja tarde. Antes que seja muito tarde. Coincidência ou não, o certo é que após a realização das investigações referentes à Operação Satiagraha, desencadeada em junho de 2008, nunca mais a Polícia Federal foi a mesma. Perdeu status e verbas. Está morrendo à míngua, com um prato na mão mendigando recursos cuja liberação depende de interferência política. Sempre é bom lembrar, no entanto, que a Polícia Federal é uma instituição dotada de autonomia e independência, mantida pelo Estado para servir à sociedade brasileira e não um órgão destinado a servir aos interesses políticos do governo de plantão.

Por último, é preciso que todos se conscientizem de que só conseguiremos alguma conquista com muita luta. Sabemos que muitos dos colegas, por terem muito pouco tempo de casa, estão satisfeitos com o que já existe, com o que já encontraram pronto, inclusive o salário. Mas não é assim que a coisa funciona. Participe do cotidiano do seu Sindicato, apresente ideias, denuncie, dê sugestões, esteja presente às Assembléias. Defenda-se!

Lembre-se sempre de que sem a participação dos sindicalizados, um Sindicato não é nada!

 

Vamos lá! Junte-se a nós! Venha participar! Contamos com o seu apoio! Faça valer o seu direito de sindicalizado e de servidor!

 

Unidos – sem dúvida – seremos muito mais fortes!

 

Jones Leal, presidente do Sindipol/DF

 

Fonte:Agência Sindipol/DF

 

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