“Cansei de ver colegas meus irem trabalhar sem colete e com eles vencidos”, denuncia policial militar;


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Armas ultrapassadas, equipamentos frágeis e medo do desconhecido. Estes são alguns dos problemas dos quais os policiais militares do Estado de Mato Grosso têm de passar diariamente em sua rotina de alto risco. Os praças ainda são obrigados a revezar os coletes – que estão vencidos há mais de cinco anos – com os colegas, já que a quantidade não é suficiente para todo o efetivo. “Cansei de ver colegas meus irem trabalhar sem o colete”, revelou ao Olhar Direto um integrante da Polícia Militar.

“Já teve caso de eu ver companheiros meus da polícia irem trabalhar sem colete. Pode anotar, no carnaval vai ter um monte de policial na rua sem arma e sem colete, não tem equipamento suficiente para todo mundo. Isso acontece principalmente no interior. Eles enchem essas cidades no interior de policiais, mas não dão suporte”, explicou à reportagem um policial militar do Estado que preferiu não se identificar.

O militar ainda conta que no batalhão em que ele trabalha existem coletes que estão vencidos há mais de cinco anos. Além disto, não há equipamento suficiente para todos: “Deveria ter um para cada. Eu já peguei doença de pele porque, além dele ser vencido, você usa ele o dia inteiro e no calor encharca de suor. Ai, no fim do serviço tem de passar ele para outra pessoa daquele jeito que está”.

Por conta do problema que contraiu, o policial relatou que teve de trabalhar sem colete em algumas ocasiões. Também foi dito que a munição que fica a disposição do batalhão é muito velha: “Estão todas ‘barrigudinhas’, com a marca do carregador e isso não pode ter. Quando você for precisar dela, pode ser que não funcione”.

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De acordo com um levantamento feito pela equipe do governador Pedro Taques (PDT), nos últimos cinco anos, houve uma redução nos investimentos na segurança pública em 60%. Ainda foi apontado que Mato Grosso tem um número insuficiente de coletes para atuação dos policiais civis e militares e metade dos que existem não servem mais, pois já estão vencidos.

Taques ressaltou reiteradas vezes em seus discursos públicos que os dados relativos à violência no Estado são “alarmantes”. Ele sempre reconheceu a fragilidade da saúde financeira do Estado e citou varias vezes que a Segurança e a Saúde serão prioridade para o novo governo.

Ao Olhar Direto, o secretario executivo de Segurança Pública, Fábio Galindo, criticou a gestão do ex-governador, Silval Barbosa (PMDB): “Nós temos um modelo de Segurança Pública ultrapassado. Ela não era prioridade no governo passado, não havia nenhum investimento. O secretário anterior não tinha a menor capacidade de fazer investimento em nenhuma área, porque ele não tinha recurso suficiente. Em 2010, o orçamento foi de R$ 210 milhões, no ano passado foi de R$ 140 milhões. A cidade cresceu, os problemas cresceram e o orçamento minguou. Segurança Pública não era prioridade”.

Outro fator que mostra o despreparo do Estado na questão de segurança é o modelo de armas utilizado. Segundo o policial militar, “as pistolas são horríveis e não prestam para o nosso serviço. São mais indicadas para segurança pessoal, não é robusta para o trabalho diário. Nos locais em que você trabalha e tem muita terra e pó, acumula muita fuligem e sujeira e só da pane. Você acaba ficando na mão se precisar usá-la”.

“O Estado não dá reciclagem de tiro para os policiais. Na atualidade, nós damos 200 tiros antes de formar. Depois disto, só vamos disparar novamente em ação ou se pagarmos um curso de treinamento do nosso bolso. Tem muitos destes praças antigos que até hoje não sabem manusear uma pistola”, garante o militar.

O medo de não saber quem pode representar perigo, faz com que os policiais tenham cautela no momento da abordagem: “Não está escrito na testa de cada um quem é bandido e quem não é. As vezes você aborda uma motocicleta em que está o pai e a mãe com capacete e a criança sem. Nós fazemos a notificação e eles ficam ‘putos’ e falam para prendermos bandidos. Este também é um serviço nosso, a criança que está ali e sem proteção corre risco de morrer se algo acontecer”.

Outra reclamação é quanto a falta de um plano de saúde para os praças: “Nossa profissão é de alto risco, nós precisamos de um plano de saúde. O MT Saúde não presta, eu estou com dois colegas internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) porque foram feridos em ação. Por que eles não fazem uma parceria com a Unimed, pergunta quem vai querer a proteção e desconta na folha de pagamento”, indaga.

Para o militar, o Programa Operacional Padrão (POP), que foi criado pelo Governo, nada tem a ver com a realidade no Estado: “Não temos efetivo e este programa diz que a viatura deveria ter três componentes, não temos esse tanto de pessoas para trabalhar. Além disto, eles só dão a pistola e o carregador. A lanterna, espargidor (spray) de pimenta e algema, você que tem de comprar. O ‘Taser’ é algo que não existe, eu nunca vi na polícia”.

Vale lembrar que até o fim de 2014, o Estado possuía 571 policiais militares a menos do que no ano de 2011. Ao todo, são 6.400 militares atuando na segurança. Estes fatores contribuem também para que o número de homicídios e crimes aumente em Mato Grosso, já que os policiais não recebem o melhor preparo. Segundo a Polícia Judiciária Civil (PJC), em 2014 foram registradas 500 mortes em Cuiabá e Várzea Grande, sendo que 470 foram homicídios e 30 latrocínios (roubo seguido de morte).

As viaturas que são utilizadas pelo Governo do Estado também são alvo de críticas do policial: “As nossas viaturas não são próprias para a nossa região. Em Cuiabá e Várzea Grande, existem muitos buracos e locais de difícil acesso e esse Palio Wekeend não é apropriado para o serviço policial. Eles pagam um aluguel absurdo para a locadora e a manutenção é só no remendo”.

Fabio Galindo reconheceu os problemas apontados e prometeu investimentos: “Vamos locar os veículos dentro de um novo padrão e de um novo termo de referência. Além disto, o contrato será rediscutido para conseguirmos uma maior produtividade com o mínimo de gasto. Vamos locar especialmente viaturas operacionais, principalmente caminhonetes 4×4 que seriam capazes de dar uma resposta mais rápida e eficiente para a população. As viaturas menores serão utilizadas única e exclusivamente para fins administrativos. Policial na rua terá um carro potente”.

(Colaborou Patrícia Neves)

Fonte: http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?noticia=Cansei_de_ver_colegas_meus_irem_trabalhar_sem_colete_e_com_eles_vencidos_denuncia_policial_fotos_&id=389408#!prettyPhoto

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