Polícia Militar sem armas e com mais de 90% dos coletes à prova de bala vencidos

A realidade da Polícia Militar é muito diferente do que muita gente imagina e, principalmente é diferente da propaganda que o Governo faz

Um policial pode trabalhar 24 horas e depois voltar para casa sem a arma? Você sabia que mais de 90% dos coletes à prova de bala da Polícia Militar estão vencidos? São problemas que o Governo de Mato Grosso já conhece porque já foi avisado por todas as três Associações da Polícia Militar, que até já sentaram com o Governador Pedro Taques e com o Alto Escalão do Governo. “Ainda é cedo, mas os problemas existem, e nós vamos cobrar. Até porque, existem uma coisa chamada violência que o policial tem que enfrentar, dentro e fora dos quartéis. Todos sabem, que nos últimos anos os bandidos mataram mais de um policial por mês no Estado”, alertou o cabo Adão Martins da Silva, de 50 anos, presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militares de Mato Grosso. Folga para militar, só na Capital, no interior a folga é voltar para casa, descansar, mas ficar aguardando ser chamado a qualquer momento.

Apesar das conversas, das propagandas e das declarações dos homens responsáveis pela Segurança Pública como o secretário Mauro Zaque e o coronel Zaqueu Barbosa, secretário de Segurança e comandante geral da Polícia Militar respectivamente, a realidade é bem outra. São problemas sérios que precisam ser enfrentados pelo novo Governo.

Se os salários de todos os 6.700 policiais militares, de soldado a coronel estão “muito bem obrigado” conformem acreditam os militares, pois existe um acordo com o Governo passado de que até dezembro deste ano os militares vão receber de 50%a 56% para soldados e 30% a 35% para outras patentes, nos outros aspectos as coisas não vão lá muito bem. Aliás, segundo a reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News apurou, “não vão nada muito bem”.

UM ABSURDO
Hoje, em pleno Século 21. Pasmem. O policial militar de Mato Grosso só volta armado para casa depois de um dia e uma noite de trabalho, enfrentando bandidos de todas as espécies, se ele mesmo comprar a sua própria arma, uma pistola Ponto-40 (.40), arma padrão das polícias brasileiras. O absurdo é confirmado pelo cabo Adão que não tem como amenizar a situação devido ser um grave problema a ser enfrentado pelo atual Governo.

EXEMPLO
O militar, principalmente os praças são obrigados a trabalhar um plantão inteiro, mas depois que acabar o plantão ele tem que deixar a arma que estava usando no quartel para que o outro militar possa usar em outro policial, que também faz a mesma coisa no próximo plantão e assim segue o problema.

Para que o militar mantenha sua própria segurança, o ele tem que comprar sua própria arma. Enfrentar uma enorme burocracia para registrá-la, para poder voltar para casa armado. Essa é uma realidade ainda desconhecida do grande público, mas uma realidade dentro da Polícia Militar.

“Esse é um dos nossos grandes problemas. Faltam armas. Nossos policiais hoje, quem não compra, não regulamenta e não tem sua própria arma volta para casa depois de 24 horas de trabalho desarmado, uma presa fácil para qualquer bandido”, confirma o cabo Adão, que completa.

– Por falta de armas, os policiais fazem uma espécie de revezamento. Quem trabalha, trabalha armado. Isso é um fato, mas depois do trabalho o militar é obrigado a deixar a arma no quartel para outro usar. Isso também é uma realidade que não podemos mais esconder, até porque temos a promessa do novo Governo de que essa situação será solucionada em pouco tempo”, comenta o presidente dos Cabos e Soldados.

FALTA DE PROTEÇÃO
Hoje a proteção de qualquer policial, civil, militar ou federal é o colete à prova de bala. É o acessório mais usado pelas polícias de todo o mundo. Em Mato Grosso, no entanto, pelo menos até agora, o Governo não deu sequer um mínimo de atenção para o problema, embora fizesse constante propaganda de uma Segurança Pública acima da média nacional.

A reportagem, no entanto, confirmou que a realidade sobre o uso do colete à prova de bala é bem outra, muito diferente de uma realidade que se vinha anunciando. Mais de 90% dos coletes usados pela Polícia Militar de Mato Grosso estão defasados. Pior, estão vencidos e colocam em risco os policiais que são obrigados a usar esse acessório vencido por não ter outro.

Acuado pela realidade apresentada pela reportagem, que já sabia que os coletes estavam vencidos, e não é de hoje. O seja, o problema vem de governos anteriores, o cabo Adão não teve outra saída, a não ser confirmar a triste realidade.

“Verdade. Infelizmente essa é uma realidade. Nossos coletes à prova de bala estão em sua maioria vencidos. Posso afirmar que mais de 90% estão fora de uso, mas sendo usados assim mesmo”, afirmou o cabo Adão.

FOLGA NEM PENSAR
A falta de policial militar é evidente. Com menos de sete mil homens, quase a metade dos 12.900 policiais que a Polícia Militar precisa para dar um pouco mais de tranquilidade à sociedade, faz com que as folgas de 72 horas para cada 24 horas trabalhada conforme recomendam as Leis Trabalhistas e os Direitos Humanos fosse para o espaço, principalmente nas cidades do interior do Estado.

“Nada. Folga mais ou menos é só na Capital. No interior ninguém folga nada. Fora da Grande Cuiabá folga mesmo é só o tempo de voltar para casa para descansar. Mesmo em casa o policial fica esperando o que vai acontecer lá na frente do dia ou da noite. Folga mais ou menos só na Capital, mesmo assim tem hora que aperta e o bicho pega. Essa também é uma realidade que o atual Governo prometeu resolver. Vamos aguardar, mas também vamos cobrar”, falou.

STRESS E MORTE
A violência dentro e fora da Polícia Militar também é uma realidade. A reportagem levantou e o presidente Adão Martins confirmou: Em 2013 foram 14 militares mortos. No ano passado os números subiram para 18 mortos, e neste ano, pelo menos três policiais militares pessoas já morreram.

Entre as mortes estão alguns assassinatos e mortes naturais por doença. Além das mortes estão os casos de stress, agressões, tentativas de assassinatos e outros tipos de violência que acontecem dentro e fora da Polícia Militar, inclusive militares envolvidos com os usos de drogas e álcool.

ESPERANÇA
Falando de tudo um pouco, o presidente da Associação dos Cabos e Soldado, lembra, no entanto, que nem tudo está tão ruim. Pelo menos é o que o presidente imagina. Ele diz que todas as questões envolvendo militares de soldado a coronel estão sendo resolvidas em conjunto pela três Associações: Cabos e Soldados; Sargentos e Sub-tenentes e Oficiais. Temos milhares de problemas para resolver, mas temos esperança que eles sejam resolvidos. Não podemos deixar de ter esperança. Agora, se não forem resolvidos nós também estamos unidos para brigar por nossos direitos”, finaliza.

Fonte: http://www.24horasnews.com.br/noticias/ver/policia-militar-sem-armas-e-com-mais-de-90-dos-coletes-a-prova-de-bala-vencidos.html

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