Pesquisa do Fórum de Segurança, aponta que policiais do país temem represálias.

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Pesquisa divulgada nesta semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 65,7% dos policiais do país sofreram discriminação por serem profissionais do sistema público de segurança. Os militares são os que mais temem represálias, 73,8%. A maior preocupação do policial é a retaliação contra um parente, sendo que a impunidade é a principal insegurança, com 64,6%.

O estudo em parceira com a Fundação Getúlio Vargas e com a Secretaria Nacional de Segurança Pública, ouviu 10.323 policiais federais, civis, militares, agentes penitenciários, rodoviários federais e guardas municipais entre os dias 18 de junho e 8 de julho, com o tema “Vitimização e risco entre profissionais do sistema de segurança pública”.

Conforme a pesquisa, 70% dos profissionais disseram ter um colega próximo vítima de homicídio fora de serviço. A incidência maior é entre os PMs. Também responderam quanto ao fato de conhecerem colegas mortos durante o trabalho (61,9%).

Ainda de acordo com o estudo, 75,6% dizem ter sofrido ameaças durante o confronto, 53,1%, fora de atuação. Mais de 60% responderam que foram vítimas de assédio moral ou humilhação no ambiente de trabalho.

Hábitos – O estudo revela ainda que os policiais adotam rotinas específicas para evitar retaliações no dia a dia. Mais de 61% evitam , por exemplo, usar o transporte coletivo, 44,3% escondem a farda ou distintivo no trajeto entre a casa e o trabalho, 39,1%, disseram que limitam o círculo de amizades e 35,2% escondem de conhecidos o fato de que são policiais, guardas e agentes prisionais.

Distúrbios psicológicos – Segundo a pesquisa, dos cerca de 700.231 profissionais de segurança público no Brasil, 109.236 já foram diagnosticados com algum tipo de distúrbio psicológico (15,6%).

Mato Grosso – Levantamento da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp), do ano passado, aponta que 17 policiais civis e militares morreram no Estado, 4 mortos enquanto trabalhavam, e o restante fora de serviço. Dentre os profissionais mortos, estão Gerson Pereira dos Santos, 48, baleado durante assalto em uma farmácia em Cuiabá e Marcos Antônio da Silva, morto também em confronto com ladrões em Várzea Grande. Ambos estavam fora de serviço.

Relato – Um policial militar lotado na Central de Flagrantes de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá conta que tenta esconder o fato de ser PM, para evitar algum tipo de retaliação. O policial, que reside na mesma cidade onde atua, diz que carrega a farda na mochila e se veste na delegacia. “Já senti olhares diferentes por parte de algumas pessoas quando vou ao supermercado ou farmácia, por exemplo, algumas pessoas reconhecem, e perguntam se é PM. Para evitar retaliação, prefiro andar sem farda”, explicou o PM que não quis se identificar.

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