Sargento da PM ensina defesa pessoal em Cuiabá.

JAD LARANJEIRA
DA REDAÇÃO

Marcus Mesquita/MidiaNews

Krav Magá

A reação mais inteligente diante de uma ameaça com certeza é evitar a violência a qualquer custo, especialmente quando isso significa que você pode escapar. Mas se não for possível, existem alguns movimentos simples capazes de auxiliar na autodefesa.

Com a violência cada vez maior nas cidades grandes, tem crescido a procura pelo krav magá, a única modalidade reconhecida como defesa pessoal que pode auxiliar em situação de perigo. A luta teve origem em Israel no período em que os judeus eram perseguidos durante a década de 1940, e hoje no Brasil e em Cuiabá pode-se encontrar com facilidade uma academia que ofereça a modalidade.

Com origem militar, sua aplicação nas forças de segurança já foi adotada por corporações do mundo inteiro pela eficiência em combate. Hoje, porém, não é mais usada somente para essa função.

Dentre as técnicas ensinadas nas aulas, está a utilização de objetos como armas de imobilização, defesa e combate, como canetas, facas, bastões. Em suma, é uma defesa pessoal simples, rápida e objetiva, acessível a qualquer pessoa.

O krav magá é a única modalidade reconhecida como defesa pessoal que pode auxiliar em situação de perigo

O sargento da Polícia Militar Gustavo Monteiro é um dos pioneiros dessa arte marcial israelense em Cuiabá. O instrutor tem conhecimento de combate civil urbano e policial e, em 2015, passou por um intenso treinamento em Israel por 10 dias.

Gustavo contou em entrevista ao MidiaNews que tudo que aprendeu ele busca passar para seus alunos, que é ensinar como se defender, independentemente de condicionamento físico, idade ou sexo. Não há regras ou competições, pois sua técnica visa à legítima defesa em situações de perigo real.

“É uma modalidade interessante, porque é algo simples e eficaz. As pessoas precisam aprender rápido para poder se defender. E o krav magá foi criado apenas para defesa pessoal, não existem competições. Existe uma filosofia, mas não existem regras, até porque em combate vale tudo. Dito isso, então o principal é se defender”, explicou.

No krav magá se usa um sistema de graduação por cores de faixas. Em cada graduação pode-se encontrar diferentes exercícios com níveis gradativos de dificuldade.

“O krav magá é dividido em três áreas: militar, civil e policial. No civil, a pessoa apenas cessa a agressão e se evade do local. O aluno não é treinado para ser super herói, mas somente para se defender. No policial, é somente para aquelas pessoas que são seguranças particulares ou policiais, pois eles têm que resolver a situação de perigo. Se um assaltante estiver armado, ele precisa desarmá-lo, imobilizá-lo e algemá-lo. Já no militar, é como uma situação de guerra. O indivíduo é treinado para um conflito, para lutar com uma pessoa, o que pode até ocasionar em morte”, explicou o instrutor.

Preparo

Monteiro explica que seus alunos são treinados para analisar uma situação de risco no dia a dia, prevendo o que pode acontecer para então, se precisar, tomar uma atitude.

Marcus Mesquita/MidiaNews

Krav Magá

O sargento da Polícia Militar de Cuiabá Gustavo Monteiro é um dos pioneiros dessa Arte Marcial Israelita

“As pessoas têm que aprender a ficar sempre em estado de alerta, a prever situações de risco que possam vir a acontecer. No Brasil vivemos assustados. Isso tem que mudar. Temos que sempre estar em estado de alerta e prever que o problema possa acontecer, para, quando nos depararmos, saber lidar com eles da melhor maneira. Se você vir que não há como reagir, deixa acontecer. A sua vida é maior que isso. No krav magá se aprende que quando começa a treinar você tem que aprender a defender a si mesmo, sua família, sua nação e a sua vida”, afirmou.

O instrutor diz que não treina ninguém para ser um super herói e reagir a um assalto, ou qualquer outra situação que ponha a vida em risco.

“A gente não prepara super heróis, a gente prepara cidadãos pra lidarem com a violência urbana, que é um problema cada vez mais comum”, explicou.

“Antes disso existe todo um preparo no psicólogo da pessoa, que é o mais importante. Não adianta saber lutar e não estar preparado psicologicamente para lidar com a situação. O indivíduo pode ser faixa preta, mas, numa situação de risco, não vai saber lidar”, explicou.

Segundo o sargento, se não houver esse preparo psicólogo da pessoa, ela corre o risco de reagir a uma situação que não convém.

“Sem modinha”

Gustavo diz que em Cuiabá hoje em dia as pessoas procuram artes marciais por “modinha” ou para mostrar aos amigos que praticam um esporte “legal”. O instrutor diz que a primeira coisa que avisa quando alguém começa a participar de suas aulas é que lá não existe isso.

“Quando as pessoas vêm aqui, a primeira coisa que falo é que o krav magá não é moda. Você tem que fazer porque você gosta. É uma luta com objetivos, que são: melhorar o condicionamento físico, defesa pessoal e ter qualidade de vida em diversos aspectos”, disse.

Marcus Mesquita/MidiaNews

Krav Magá

A engenheira de Alimentos, Marcela Rios de Araújo, de 29 anos, já é faixa amarela

A engenheira de alimentos Marcela Rios de Araújo, de 29 anos, já é faixa amarela. Ela contou ao MidiaNews que começou a participar para emagrecer e porque ficou sabendo que na modalidade não exigia tanto o uso da força bruta. Com o tempo descobriu que tinha jeito para a modalidade.

“Eu decidi por fazer porque queria emagrecer. Já tinha tentado a musculação, mas não me identifiquei. Aí fiquei sabendo da luta e gostei. Descobri que não precisa muita força bruta, mas sim técnica e saber usar os pontos vitais para se defender”, disse.

A engenheira pratica a luta há um ano e conta que quando foi passar da faixa branca para a amarela quebrou o pé e só sentiu após terminar a prova.

“Eu senti uma dor no começo da aprova, mas meu sangue estava quente e continuei até o final. Passei com sucesso, mas tive que ficar seis meses sem treinar”, recordou.

Marcela diz que sua vida mudou após começar a lutar e que o krav magá lhe dá mais segurança. Ainda diz que não entende por que as aulas não são lotadas de mulheres, pois acredita que todas deveriam aprender a se defender.

“Eu sinto mais segurança agora. Que Deus me livre de ter que precisar um dia em alguma situação de risco. Mas, com o que aprendi, eu sei que se acontecer algo vou saber sair da situação”, disse.

Marcus Mesquita/MidiaNews

Krav Magá

Já o taxista Eurípedes Domingos, de 55 anos, pratica krav magá há oito meses e conta que decidiu aprender por causa dos perigos nas ruas

“Eu aconselharia toda mulher a praticar, porque o negócio é apenas jeito e técnica. Eu não entendo por que aqui não é uma aula lotada de mulheres. Só há eu aqui de mulher. Deveria ter mais porque é ótimo”, ressaltou.

Já o taxista Eurípedes Domingos, de 55 anos, pratica krav magá há oito meses. Ele conta que decidiu fazer a modalidade por causa da profissão.

“Trabalho na rua. Então tenho que ter uma defesa para escapar da bandidagem. Graças a Deus nunca precisei usar para me defender e espero nunca precisar. Mas já aprendi algumas coisas que me fazem sentir preparado. Além disso, a saúde também é importante”, explicou.

Para o cabo da Polícia Militar Públio Lentulus, de 33 anos, a utilidade da defesa pessoal serviu para aprimorar as abordagens no o dia a dia em seu trabalho.

“Eu comecei a treinar para poder praticar a luta na atividade policial, na questão de imobilização. Principalmente no momento da abordagem. A intenção do policial não é agredir as pessoas, mas sim usar do meio mais fácil, que é a imobilização, para poder conter o indivíduo e algemá-lo”, explicou.

“Eu já passei por situações anteriormente que, se tivesse preparo e conhecimento em questão de imobilização, seria uma coisa mais eficiente, talvez até mais fácil”, completou.

Marcus Mesquita/MidiaNews

Krav Magá

Com origem militar, sua aplicação nas forças de segurança já foi adotada por corporações do mundo inteiro pela eficiência em combate

O krav magá ministrado pelo professor Gustavo Monteiro fica dentro do Cuiabá Tênis Clube, na Rua Trindade e Tobago, 250, Jardim Califórnia. Telefone para contato: (65) 9221-4859.

As aulas

As aulas são realizadas todas as segundas, quartas e sextas-feiras, nos turnos matutinos e noturnos.

Os preços variam entre R$ 130 a R$ 150, dependendo da quantidade de aulas.

Fonte: http://midianews.com.br/cotidiano/modalidade-de-defesa-pessoal-ganha-adeptos-em-cuiaba/258834

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