Gefron se despede do mascote Bradock.

LIDIANA CUIABANO
Assessoria/Sesp-MT

Bradock atuava como cão de guarda no batalhão do Gefron-MT (Foto: Divulgação/Sesp-MT)

Ele chegou pequenino. Com pouco mais de 30 dias de vida já despertou sentimento de carinho e cuidado de toda uma tropa. Saudável e robusto, Bradock possuía todas as características de um autêntico Pit Bull, se não fosse um diferencial: gostava de seres humanos fardados.

A paixão de Bradock foi desenvolvida quando foi adotado pelos policiais militares do Grupo Especial de Segurança na Fronteira (Gefron), em setembro de 2006. Chegou ao batalhão em Porto Esperidião, sem concurso, e se efetivou como mascote da tropa.

Segundo o comandante do Gefron à época, coronel PM Zaqueu Barbosa, Bradock chegou para trazer o lado humano dos militares, que sofrem com a carga de trabalho e estresse do dia a dia de uma fronteira muito extensa para monitorar.

“Achei interessante quando apareceram com ele na base justamente por isso, para preencher essa parte humana do policial. Ele aprendeu a conviver com os militares e todos aprenderam a amar aquele animal”, disse Zaqueu.

Como todo Pit Bull, Bradock era forte, autoconfiante, corajoso e determinado. Participava ativamente dos momentos de educação física com os policiais do Gefron.

Nadar e correr eram suas atividades preferidas. Corria até 10 quilômetros com seus parceiros do batalhão, sem pestanejar.

“Adquiriu um porte mais atlético por conta das atividades físicas que fazia junto com a tropa”, diz acreditar o cabo PM do Gefron, Josean Aparecido da Silva.

O cão era amigo e amado por todos. Em especial por Josean, com quem sempre estava por perto. “Qualquer problema de saúde eu quem cuidava. E desde pequeno ele ficava muito comigo, talvez por isso tinha esse apego maior a mim”, disse o militar.

Além de ser um fiel companheiro nas atividades físicas da tropa, Bradock também se fazia presente em todos os espaços da base, por onde circulava livremente.

A convivência era tamanha que Bradock desenvolveu um apego por pessoas fardadas. “Paisanos” não eram tão bem-vindos em seu espaço. “Quando chegava pessoa fardada no batalhão ele tratava como amigo. Os que apareciam por lá sem farda, ele demonstrava descontento”, declarou Josean.

Ao completar um ano de vida, Bradock começou a sair, como companhia, em algumas patrulhas junto aos policiais, que sempre garantiam seu lugar dentro das viaturas.

Muitos desfiles cívicos de 7 de setembro foram marcados pelo sucesso que Bradock fazia ao passar pela avenida, guiado pelos policiais do Gefron.

Doença

Há alguns meses, seu vigor não era mais o mesmo. No ano passado, o cão, já com 9 anos de idade, começou a apresentar os primeiros sinais de insuficiência renal congênita.

“Ele apresentava sangramento no canal urinário e, no check up médico, descobriu-se a doença nos rins”, disse a investigadora de Polícia Civil, Vanessa Miranda de Paula, que atua no Canil Integrado de Fronteira e acompanhou Bradock desde os primeiros sinais da doença.

Vanessa declarou que, há oito meses, o cão se alimentava de uma ração especial que era mantida por cota feita entre os policiais.

Com o passar do tempo, a ração e os medicamentos já não faziam mais os efeitos esperados, e Bradock foi se debilitando cada dia mais.

“Foi então que, por sugestão do médico veterinário e resultados dos exames, nos reunimos e decidimos pela eutanásia, para acabar com o sofrimento dele”, declarou Vanessa.

E assim aconteceu. Bradock encerrou sua história no último dia 21 de maio, mas ficou marcado na memória de todos os militares do Gefron.

“Ele fez parte da minha vida. Tenho 13 anos de polícia e por 10 anos Bradock esteve comigo. Era um amigão e parceiro de vários momentos. Não tenho palavras para descrever o tanto que eu amava o Bradock”, disse o cabo PM do Gefron, Josean Aparecido da Silva.

Virou notícia

Sites importantes de Cuiabá como G1, Olhar Direto e Folha Max noticiaram o falecimento do mascote.

A Associação Ajuda aos Animais de Cáceres também manifestou carinho por Bradock em homenagem na sua Fan Page.

Em nota, o Grupo Especial de Segurança na Fronteira (Gefron) deu adeus a um dos seus ilustres companheiros.

“Nos resta lembrar de todas as alegrias que proporcionou, seu olhar intenso e sincero! Para nós sempre foi mais que um cão de guarda, e agora que seus olhos se fecharam para sempre, fica o luto na alma de cada um de nós! Você é insubstituível!”, expressaram os policiais em nota de pesar.

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